Prata da Casa
27 jul 2010
Outro dia fui a um aniversário de um amigo que completava 40 anos. Dentre os rituais planejados para a festa, surgiu uma garrafa contendo bilhetes e mensagens deixadas por parentes e amigos que estiveram visitando-o, ainda bebê, na maternidade. Agora, em plena maturidade, a garrafa seria quebrada, os bilhetes abertos e as mensagens resgatadas. Confesso que nunca havia presenciado algo parecido.
Até guardo alguns bilhetes, fotos e presentes da infância, mas uma coleção completa de fatos e fotos presos numa garrafa durante quatro décadas pareceu-me assustador. Como se tratava de um ritual da família, mantive-me discreto e observador aos recados. A primeira mensagem era da avó falecida há oito anos. “Que Deus te ilumine sempre” foi o desejo simples e genérico. A segunda era de uma tia ainda viva e presente na festa. “Siga o caminho de seu pai e seu avô”… Os olhos da tia marejaram-se.
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