Archive for mercado

Semana passada, restaurante da moda em São Paulo, quatro amigos compartilham uma mesa. Cada um com seu celular. Todos teclando ávidos. Ninguém conversa entre si. Todos interagem virtualmente. De repente, um dos presentes declara: “a Vera está mandando um beijo ao Bruno”. O rapaz ao lado responde: “vou falar a ele”.

Os diálogos eram mais complexos do que aparentavam. Entre os quatro presentes, silêncio total. Entre os quatro ausentes, intimidades calorosas. O grupo virtual parecia mais interessante que o real. Por que será que quatro pessoas se reunem para conversar com quem não veio? Talvez porque estes diálogos sejam mais rápidos, genéricos, variados e lúdicos. A vida está acelerada e, com ela, a quantidade de informação que nos chega, motiva-nos à seleção das relevâncias. Read the rest of this entry »

Você sabe qual a peça teatral, há mais tempo em cartaz? Ela é brasileira, foi escrita por Marcos Caruso, vem sendo encenada desde 1986, já conquistou quatro menções no Guiness, e foi vista por mais de 5,5 milhões de espectadores, e por mim também.

“Trair e coçar, é só começar” é apresentada há 25 anos, o que nos leva a analisar os motivos pelos quais um trabalho artístico se mantém tanto tempo em cena.
Read the rest of this entry »

Posso dizer que tive três pais na infância. Com meu pai biológico, os Irmãos Grimm tiveram influência decisiva nos meus valores morais. Eles foram dois alemães que escreveram fábulas como Cinderela, João e Maria e Chapeuzinho Vermelho – esta última era a que mais me perturbava. Nunca entendi muito bem os motivos reais pelos quais a menina se desviava da estrada para colher flores, dando espaço para que a avó fosse atacada pelo lobo mau.

A história tinha tudo para representar um grande relacionamento. A avó zelosa presenteia a neta com um chapéu vermelho e tudo indica que a menina adorou o presente, a ponto de usá-lo permanentemente e ganhar o apelido título da história. Read the rest of this entry »

“Preto se você me der amor, tudo de mim você terá. Preto, se você pisar na bola, eu boto outro em seu lugar.” (Cláudia Leitte – “Preto”)

Cláudia Leitte sempre nos diverte e nos provoca a chacoalhar o esqueleto. “Preto”, uma de suas músicas mais recentes, retoma uma questão relevante: a reciprocidade — palavra antiga, sonoridade estranha, semântica difusa. “Se você me der amor, tudo de mim você terá”. Como converter a frase para as empresas e seus consumidores? Que tipo de amor suas marcas têm lhe dado? Percebe-se claramente, uma diferença de tratamento entre os consumidores que ainda não fizeram a primeira compra e aqueles já clientes. Aos primeiros, muitas ofertas, brindes, vantagens e descontos para que entrem no clube. Aos segundos? A nota fiscal, o carnê ou um telefone para esclarecimentos de dúvidas. Read the rest of this entry »

Dias mais frios. Manhãs mais aconchegantes (na cama). Casacos saem do armário e retornam ao nosso cotidiano. A vida prossegue um pouco mais lenta, preguiçosa. Nas ruas, os bocejos aumentam e um aspecto inusitado tem sido percebido com mais frequência. Bocas abertas sem culpa, com calma e sem a proteção das mãos.

Semana passada, uma senhora de idade mediana, bem vestida em um tailleur de corte fino, entra no seu carro numa rua dos Jardins. Enquanto espera o motorista abrir a porta, dá um bocejo despudorado. Um pouco mais tarde, na região da Paulista, três executivos retornam do almoço e, sorrateiros, bocejam enquanto consultam os celulares. Fim da tarde, saída do colégio, alguns jovens comentam o desempenho na prova que acabaram de realizar. Entre a dúvida sobre a raiz quadrada e a equação de segundo grau, bocejam ventilando o cérebro. Read the rest of this entry »

 
online drugs Canada canadian online pharmacies reviews Canadian prescriptions online online Canada pharmacy custom motor cycle wheels