“Meia-Noite em Paris”, filme de Woody Allen, nos brinda em seus minutos iniciais, com cenas da cidade luz. São quase dez minutos sem diálogos, apenas com “Si tu vois ma mère” ao fundo. O que se inicia com belas fotos, vai tornando a plateia impaciente a ponto de alguém comentar baixinho… “o filme não vai começar?”
Mais uma vez, o gênio dos dramas psicológicos tragicômicos consegue sintetizar a principal mensagem desta sua obra: “o presente é monótono e entediante”. Vivemos a buscar o que não está aqui, agora, conosco. Vivemos para frente e para fora. Para frente correndo e adquirindo informações. Para fora assumirmos posturas para os outros. Read the rest of this entry »
Empresas pedem sempre o mesmo: “Queremos os melhores clientes”. Ao serem questionados sobre quem são esses “melhores”, o briefing deixa bem claro: “Aqueles que compram mais, os de maior faturamento, as 1.000 maiores e melhores”. O mais fácil de ser visto, o mais aparente, a ponta do iceberg.
À pergunta sobre qual o seu público-alvo principal, respondem prontamente: “quase todos” ou “meu produto é tão bom que pode atender a vários segmentos”. Todos querem Abílio Diniz e Eike Batista em seu evento. As “maiores de Exame” também seriam bem-vindas no portfólio de clientes. Entretanto, o que temos a oferecer para que o dono do “Pão” ou o do “Rio” venham tomar um café com você? Read the rest of this entry »
Meu amigo Cláudio é uma grande ameaça à economia de mercado. Também costuma furar filas e sair de lojas sem pagar, pelo menos em dinheiro. Ainda é acompanhado pelo gerente até a porta e se despede com um beijo. Um horror para quem o vê. Uma delícia para quem o acompanha. Um exemplo para as empresas.
Há anos, ele abandonou o talão de cheque, a carteira de dinheiro e mantém apenas um (dos vários) cartões de crédito que possui, no bolso traseiro da calça, “para uma emergência” como ele próprio me confidencia. Read the rest of this entry »
Um hábito me acompanha, há anos. Ao acordar, seleciono alguns nomes no celular e disparo a mensagem: “Bom dia!”. Ao longo do dia, repito a outros: “calor de matar…”. E encerro a noite com um “pensando em você nas minhas orações…”.
A ação preza os preceitos de uma comunicação eficaz. Alimenta-se de nomes extraídos de uma mesma base de dados (meu celular), adota-se uma oferta única (a saudação) e utiliza-se um único script (a frase enviada). Read the rest of this entry »
Toda vez que ouço Baby, lembro-me de que estou atrasado. Afinal de contas, a música, assim como a vida, insiste que “preciso saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina” e, principalmente, saber de mim.
Eu sei que é assim.
O mundo evolui, tudo acontece ao nosso redor e, muitas vezes, investimos tempo, energia e dinheiro para alcançá-lo, em vão. Sempre sinto uma falta enorme de tempo e uma angústia profunda com a ideia de perda de algo que não sei muito bem definir, mas que parece ser fundamental à existência.
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